Décio Burd, diretor de Relações com Investidores (RI) da
No calendário de "caixeiro viajante" de Mônica estão previstas de 700 a mil reuniões públicas no Brasil e no exterior, uma agenda bem maior do que a de um "pop star" internacional da música. Roberval Lanera Toffoli, da
Esses três casos evidenciam uma situação comum às empresas de baixa capitalização, as chamadas "small caps", com um histórico recente no mercado de capitais brasileiro. São companhias que viram suas ações despencarem quando o capital externo bateu em retirada com a crise internacional e que tomaram a dianteira na comunicação com o mercado.
Para voltar ao radar de aplicadores locais e estrangeiros, os profissionais de RI viraram verdadeiros garotos-propaganda, levando nas suas pastas executivas e computadores pessoais apresentações com conteúdo digno de uma nova oferta de ações. "Em vez de reclamar, fui para a rua, as visitas não eram nem para que (aqueles investidores) se tornassem acionistas, mas para que passassem a olhar o meu negócio", diz Burd.
O trabalho de formiguinha surtiu resultado: trouxe para a base da CSU participações relevantes, de instituições como o
A Helbor também é outro caso de quem fez a lição de casa assim que perdeu de uma só vez a cobertura do
A peregrinação deu resultado, o Bradesco retomou a cobertura e Toffoli espera que, no mais tardar no começo do próximo semestre, outro grande banco comece a fazer análise dos papéis da construtora. Toffoli faz uma crítica sobre a postura de algumas instituições de quererem casar a cobertura com algum tipo de relacionamento comercial da empresa com o banco. "Isso não deveria ser assim, deveria ser uma cobertura independente, sem nenhuma contrapartida."
Como a primeira empresa do setor de meios de pagamento a listar ações na bolsa, a comunicação da CSU tem incluído o bê-á-bá do negócio: a empresa não faz apenas emissão de plásticos, como também a remessa de cartões, aprovação da transação em loja, extrato, prevenção à fraude, contabilidade e liquidação financeira.
É com conteúdo básico também que Mônica Molina, da Bematech, partiu para suas apresentações, primeiro tendo como foco as corretoras e os investidores individuais. A partir deste ano, o alvo será o investidor estrangeiro. "Em 2007 e 2008, mesmo entregando resultados 30% melhores, houve evasão dos estrangeiros", diz. "Com a crise global a empresa se transformou numa 'microcap'."
As mudanças na companhia começaram no ano passado e foram mais estruturais. Incluíram a separação da área de RI da diretoria financeira, com reforço no orçamento e a contratação da executiva. A transparência na divulgação das informações operacionais também foi aprimorada com abertura das margens de rentabilidade por linha de negócio, quantidade de equipamentos vendidos e preço, todo o arsenal necessário para compor as análises fundamentalistas.
No período que sucede cada "road show", pelo menos ao longo de três semanas, a companhia acompanha os resultados da sua empreitada e se aquele grupo de potenciais investidores passou a compor a base acionária. Há uma métrica para avaliar o sucesso da estratégia, conta Mônica. "O índice de conversão costuma ser muito bom, alguns institucionais aceleram o processo de aprovação de investimento para aproveitar o momento do papel." A proatividade, argumenta, ajudou a valorizar as ações da Bematech que, de junho para cá, subiram o dobro do Ibovespa.
Manter as portas abertas da comunicação com o mercado também foi a movimentação tática do banco