11/05/2010 - Bancos Médios Prometem Balanços Positivos - DCI Online
SÃO PAULO - A safra de balanços do primeiro trimestre dos bancos médios que será divulgada esta semana está sendo aguardada de forma positiva pelo mercado. Na opinião de analistas, instituições como o BicBanco, que divulga seu balanço hoje, devem apresentar lucro bem maior que o registrado no mesmo período de 2009.
"O banco Cruzeiro do Sul deve ter um resultado muito forte em crédito consignado. Bic Banco e Sofisa também estão com perspectivas muito boas em empréstimos corporativos", vislumbrou o diretor de Operações da Hera Investment, Nicholas Barbarisi.
"A Sofisa está com bastante caixa, eles haviam vendido sua financeira e agora podem focar em maior rentabilidade no segmento de empréstimos corporativos", considerou Barbarisi.
O executivo descartou a influência da crise europeia na captação externa dos bancos médios."Eu acredito que os bancos médios brasileiros vão conseguir captar de acordo com suas necessidades. Não falta apetite de investidores estrangeiros por papéis brasileiros", destacou.
A opinião dele é compartilhada pelo economista da Ágora Corretora Aluísio Lemos. "Não deve haver problema de continuidade. No momento não vejo risco ou qualquer penalização para os bancos médios em virtude da crise europeia", assegurou.
O economista confirmou o cenário de crescimento para 2010. "Há uma boa perspectiva de os bancos médios crescerem entre 5% e 6% este ano. As possibilidades são boas para a expansão do crédito no mercado interno", projetou Lemos. Ele minimizou a possibilidade de um contágio da crise europeia. "Ontem, os mercados europeus já responderam bem aos pacotes governamentais. As autoridades financeiras estão atentas, e isso não vai atrapalhar o crescimento do Brasil."
Segundo Lemos, o risco dos bancos médios é muito baixo. "Quando olhamos o nível robusto de provisões dos bancos médios, vemos que o risco é muito baixo", tranquilizou o economista da Ágora. "No caso brasileiro -e vemos nisso nos balanços do primeiro trimestre-, as instituições são lucrativas. O caixa ficou bem gordo", afirmou Lemos.
O analista de Instituições Financeiras da Austin Rating Luis Miguel Santacreu foi mais comedido em relação às captações externas. "Pode existir algum momento de maior seletividade, mas os bancos médios já estavam preparados. Eles aproveitaram o bom primeiro trimestre para fazer fortes captações, inicialmente preocupados com as eleições, e agora serão captações mais pontuais", estimou.
"Os bancos médios não estão sofrendo. Não está maravilhoso, mas não está o caos", comentou. "O Banco Central ainda tem todos os instrumentos para assegurar a liquidez dos bancos médios diante de uma contenção do fluxo de liquidez. Não precisa nem de medida provisória", completou o economista.
"Na realidade, por causa da alta da inflação, o BC até retirou um pouco de liquidez do mercado, ele pode até voltar com essas linhas do compulsório", calculou, em hipótese de um recuo na linha de crédito dos bancos médios.
Aluísio Lemos, da Ágora, também falou das captações. "Assim como outros bancos, o ABC Brasil já havia conseguido uma captação de US$ 300 milhões em meio ao temor do mercados europeus, ou seja, por enquanto não há qualquer restrição ao mercado brasileiro", finalizou Lemos.
Mas uma fonte de mercado apontou a que o banco Cruzeiro do Sul suspendeu provisoriamente uma emissão de bônus devido às condições adversas do mercado relacionadas aos atuais problemas da Europa.
ABC Brasil
O banco ABC Brasil reportou em seu balanço, divulgado ontem, um lucro líquido de R$ 46,9 milhões no primeiro trimestre de 2010, um aumento de 5,5% em relação ao quarto trimestre de 2009, e de 96% em relação ao mesmo período do ano passado. A carteira de crédito cresceu 11,5% em comparação ao trimestre anterior, para R$ 9,48 bilhões.
A instituição também informou que o número de clientes aumentou 9,3%, para 1.327 clientes. O Índice de Basileia (relação entre o volume emprestado e o patrimônio de referência do banco, que não pode ser menor que 11%) está em 13,3%, considerado um patamar tranquilo pelos especialistas. O mercado recebeu bem os resultados. A ação PN do ABC Brasil fechou em alta de 6,21% a R$ 11,80, depois de atingir uma máxima de R$ 12,44 no dia.