Call de Economia

Internacional

  • Mercados internacionais operam sem tendência definida, ainda com foco nas questões comerciais envolvendo Estados Unidos e China;
  • De acordo com a Bloomberg, autoridades dos dois países estão trabalhando em múltiplos memorando para o acordo comercial;
  • As conversas entre os funcionários americanos e chineses em Washington devem ser concluídas amanhã, quando há a expectativa de alguma novidade sobre o acordo ou pelo menos uma extensão da data final;
  • Neste clima de espera, as bolsas asiáticas fecharam nesta quinta-feira sem direção única;
  • Já os futuros de Nova Iorque mostram alta moderada, enquanto as bolsas europeias têm viés de baixa, diante dos dados mistos da economia da região divulgados mais cedo;
  • O PMI industrial da zona do euro caiu para 49,2 em fevereiro, ante 50,5 em janeiro e expectativa de queda para 50,3. Esta é a primeira vez desde 2013 que o setor do bloco mostra contração (valor abaixo dos 50 pontos);
  • Por outro lado, o setor de serviços da região mostrou alta de 51,2 no mês passado, para 52,3, superando a projeção dos analistas, de 51,3;
  • O bom desempenho dos serviços acabou compensando a queda forte da indústria, fazendo com que o PMI Composto da zona do euro passasse de 51,0 em janeiro, para 51,4 neste mês;
  • No mercado de moedas, o dólar tem ligeira queda frente grande parte das divisas;
  • Destaque nesta manhã para a queda do dólar australiano após notícias de que um dos principais portos da China interrompeu a importação de carvão do país;
  • Os rendimentos dos treasuries sobem, ainda ecoando a ata da última reunião do Federal Reserve divulgada ontem;
  • O tom do comunicado foi menos dovish quando comparado às ultimas comunicações do banco central americano;
  • Apesar de ressaltar que o balanço de riscos continua negativo, diante da desaceleração global, questões comerciais, menores estímulos fiscais, volatilidade financeira, entre outros, alguns participantes afirmaram que se a economia evoluir da forma esperada, poderia haver aumento de juros este ano;
  • Quanto à política de redução do balanço do Fed, quase todos os membros defenderam que era desejável o anuncio em breve de um plano de encerramento deste programa até o final do ano;
  • Hoje os dados da economia americana devem estar no foco dos investidores. Às 10:30hs teremos os dados de pedidos de auxílio desemprego e encomendas de bens duráveis;
  • Os PMIs de fevereiro serão divulgados às 11:45hs. Por fim, os estoques de petróleo pelo DoE sairá às 13:00hs;
  • Entre os eventos, destaque apenas para o discurso do presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic (não vota), às 09:50hs.

Brasil

  • Com o exterior misto, a abertura por aqui deverá repercutir mais um áudio do presidente Jair Bolsonaro vazado para a imprensa;
  • Um diálogo entre o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e o presidente Jair Bolsonaro, obtido de forma aparentemente acidental, foi publicado ontem pelo jornal O Globo;
  • O áudio mostra que Onyx teria sido encarregado de procurar o ex-ministro Gustavo Bebianno para sondar a sua disposição de causar problemas ao Governo e negociar um acordo, com relação aos honorários advocatícios de Bebianno;
  • Apesar de não ser uma boa notícia ter mais um áudio do Presidente sendo vazado, não há nada na conversa que possa gerar uma nova crise para Bolsonaro, de modo que o impacto sobre os mercados deverá ficar limitado ao medo de que isso se torne frequente;
  • Finalmente a Reforma da Previdência foi divulgada e a repercussão acabou sendo favorável, apesar de haver um consenso de que algumas partes da propostas dificilmente passarão;
  • Os pontos que sofreram mais críticas foram a redução no valor mínimo do Benefício de Prestação Continuada (que cairá de um salário mínimo para R$ 400 para quem tem entre 60 e 70 anos) e a contribuição mínima de R$ 600 anuais para o trabalhador rural que quiser se aposentar;
  • A fixação de uma idade mínima de 60 anos para a aposentadoria de professores e o envio em separado das regras para militares também geraram reação;
  • Entretanto, mesmo considerando alguma desidratação, com uma proposta mais dura do que a do Temer, a possibilidade de no final ainda termos uma economia substancial aumentou sobremaneira, como reforçou o economista Paulo Tafner, especializado em Previdência;
  • Segundo ele: “a proposta, em termos fiscais, tem impacto relevante. Eu não acredito que a economia fiscal vá cair para algo entre R$ 400 bilhões e R$ 600 bilhões, números que o mercado fala. Acho que será um número maior. Se a taxa de desidratação foi equivalente à da Reforma do Michel Temer, teremos algo em torno de R$ 800 bilhões em 10 anos, que é um número minimamente razoável. Abaixo disso será desidratação maior do que foi com Temer, o que me parece pouco improvável, porque Jair Bolsonaro é um presidente eleito em início de mandato.”
  • A Reforma também foi bem recebida pelas agências de rating;
  • A diretora da Fitch Ratings, Shelly Shetty, apontou que a Reforma é "ambiciosa" reforçando "o aumento da progressividade dos benefícios, estabelecendo idades mínimas para aposentadorias de homens e mulheres, harmonizando benefícios por diferentes regimes de pensões e apertando o critério de elegibilidade para assistência social.";
  • Entretanto, ela ressaltou a dificuldade que a proposta deve ter durante a sua tramitação: "A Fitch continua a monitorar como a reforma da previdência progride no Congresso, pois há incertezas para sua aprovação e possível diluição, dada a natureza impopular da reforma e do Congresso fragmentado.";
  • O que pode ajudar nesse caso é a disposição do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM) em ajudar no processo;
  • Maia disse ontem que irá determinar a instalação da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa na próxima terça-feira, para iniciar a tramitação da Reforma da Previdência;
  • Se isso ocorrer mesmo, a proposta poderá estar pronta para ser votada na CCJ em torno do dia 15 de março;
  • Maia destacou  que o Governo terá que enfrentar o que é, em sua opinião, o maior problema no Legislativo: a comunicação;
  • Dando início a essa “batalha”, Jair Bolsonaro fez ontem um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV para defender a proposta de Reforma da Previdência encaminhada ao Congresso Nacional;
  • Segundo Bolsonaro, "estamos determinados a mudar o rumo do nosso País", disse;
  • "A nova Previdência será justa para todos, sem privilégios. Ricos e pobres, servidores públicos, políticos ou trabalhadores privados, todos seguirão as mesmas regras de idade e tempo de contribuição. Também haverá a reforma dos sistemas de proteção social dos militares", completou;
  • A Câmara dos Deputados concluiu na noite de ontem, a votação dos destaques apresentados ao projeto de lei que cria o novo cadastro positivo de crédito, uma das principais medidas microeconômicas da equipe econômica anterior;  
  • O texto, agora, será enviado para nova análise do Senado;
  • Hoje, a partir das 15:00hs, haverá um encontro entre a equipe econômica de Paulo Guedes e representantes do mercado financeiro para o detalhamento da Reforma da Previdência;
  • O IPCA-15 de fevereiro ficou em 0,34%, ligeiramente abaixo dos 0,36% esperados pelo mercado;
  • Com isso, o índice passou de 3,77% para 3,73% no acumulado em 12 meses;
  • Não há nenhum indicador econômico relevante esperado para hoje.